Região é uma das maiores produtoras de banana do Estado. Produtos feitos localmente valorizam o meio ambiente e começam a ganhar mercado.

O mercado de produtos sustentáveis é crescente. No Vale do Ribeira esta é a saída para o desenvolvimento regional. É o que apontou a primeira pesquisa Indicadores Regionais do Vale do Ribeira, realizada pelo Sebrae-SP em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), divulgada em dezembro de 2010.

Com mais de 90% do Produto Interno Bruto dependendo das atividades agropecuárias, o Vale tem um ambiente propício para o desenvolvimento de ações sustentáveis. Na região, 42% das Micro Pequenas Empresas (MPEs) agrícolas atuam na cultura da banana, utilizada na produção de biomassa e artesanato.

“A sustentabilidade é o diferencial competitivo da região do Vale do Ribeira”, diz o gerente do Escritório Regional do Sebrae-SP, Paulo Sérgio Brito Franzosi. Embora haja a preocupação ambiental, os produtores enfrentam problemas como a dificuldade de colocação dos produtos no mercado, falta de local para expor suas criações, dificuldade de financiamentos e falta de valorização do que é produzido com as próprias mãos. A informalidade também acaba por prejudicar o alavancamento dos negócios.

Delta Sueli foto Luiz Fernando Menezes Vale do Ribeira dá exemplo de empreendedorismo sustentável

Na tentativa de mudança de cenário, o Sebrae-SP realiza seminários na região, além de viabilizar a participação dos produtores em feiras. A entidade também oferece capacitação e orientação sobre empreendedorismo, gestão e os benefícios da formalização.

Apenas na cidade de Ilha Comprida, o trabalho realizado pelo Sebrae-SP na divulgação da figura do Microempreendedor Individual (MEI) impulsionou a Prefeitura a uma forte ação de formalização. Com ela, foram formalizados 76 artesãos e 129 ambulantes.

Como forma de incentivar a formalização, a Prefeitura de Ilha Comprida também instituiu uma norma onde apenas MEIs podem expor na feira da cidade. A ação busca valorizar os micro e pequenos negócios, maioria na região. “Conforme a pesquisa FIPE, hoje um total de 99,6% das empresas do Vale são Micro e Pequenas Empresas (MPE)”, diz Franzosi.

Qualidade e reconhecimento
Atualmente, um dos negócios formalizados através do MEI tem ganhado destaque na região. Criada há dez anos pela artesã Delta Sueli dos Santos e o esposo, Denin Crivelini, a Banana Brazil Art Natural tem atraído um crescente interesse do setor público e privado pelos seus produtos. São vários os convites para que a marca participe de projetos na região e em outros estados brasileiros.

Na empresa, são criados acessórios finos a partir de fibra de banana, taboa, sementes, escamas de peixe e pedras brasileiras, preciosas e semipreciosas. Também são feitas sandálias, biojóias e bolsas, utilizando técnicas como macramê, crochê, tricô e tear. Tudo é feito de maneira ecologicamente correta, a exemplo do tingimento de escamas sem utilização de processos químicos.

Todo o material extraído da banana utiliza o melhor da planta e a criação dos sapatos exige anos de investimentos e testes. “Não existem equipamentos para isso e há dez anos pesquiso sobre o tema. Desenvolvi cinco equipamentos, entre eles um para cortar escamas e outro para produzir as sandálias”, conta Crivelini.

Para impulsionar os negócios, em março de 2010, Delta tornou-se MEI, sob orientação da analista do Sebrae-SP no Vale do Ribeira, Cláudia Noemi Gervásio. “Por meio do Sebrae-SP, a Cláudia sempre me dá dicas preciosas. O resultado está sendo muito bom, pois além da segurança para o futuro, posso vender para clientes grandes, dar aulas de artesanato e participar de rodadas de negócios em feiras e exposições, tudo por conta da possibilidade de emissão da nota fiscal”, afirma a artesã. Das várias feiras que participou no Vale, a maioria foi realizada pelo Sebrae-SP.

O trabalho de Delta também tem gerado transformação na vida de muitas mulheres. Há um ano, a artesã ensina a utilização de fibra de banana no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Pariquera-Açú. “Já são 12 mulheres que passaram a ter uma fonte de renda e a utilizar de maneira adequada os recursos naturais”, afirma. Recentemente, a Banana Brazil firmou parceria com a Associação Melbatangue, que reúne 32 artesãos em Miracatu (SP) que trabalham com fibra de banana, para desenvolvimento e comercialização de novos produtos.

Com os artesãos da Melbatangue, Delta começa a desenvolver, ainda em 2011, caixas de fibra de banana para uma linha especial de produtos da Natura, que encomendou a produção para a associação. O desafio para 2011 é criar um polo de moda no Vale do Ribeira, lançar uma coleção feita por muitas mãos, somente com produtos naturais, incluindo também o couro de peixe e o bordado.

“Quero tentar conscientizar muitas pessoas a contribuírem para a criação deste grupo de moda com as mulheres. Quero poder mostrar a elas que juntas podemos muito, pois cada pessoa tem um dom para fazer alguma coisa, só é preciso descobri-lo e aperfeiçoá-lo”, planeja.

A proposta é que o projeto de moda divulgue o nome do Vale do Ribeira no País. “Temos muitos recursos naturais da Mata Atlântica que podem servir para a criação de produtos de alta qualidade e beleza”, ressalta. “Só precisamos conscientizar as pessoas de que na natureza nada é lixo, tudo pode ser transformado, basta boa vontade, consciência ecológica e criatividade. É um investimento importante não só para o município, mas para uma população que precisa, e muito, de ajuda”, ressalta a artesã.

“Trabalhar com sustentabilidade é maravilhoso. Você aprende a dar mais valor a tudo, aprende que um simples mato pode se transformar em algo bonito, não deve ser extinto da natureza. Por tudo isso sou apaixonada por produtos ecológicos”, completa.

Marcia Costa

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